sorria você está sendo printado

começo a escrever com uma sensação, como posso dizer, oposta a que você tinha quando me escreveu: um pouco perdida, derrotada e com muito medo. tudo isso acompanha o sentimento de que ou é agora ou agora, sem saber o que vem depois. e não saber o que vem depois me dá muito medo. saber, tédio. é uma eterna gangorra e buscar o equilibro é viver o risco de cair o tempo todo [e mesmo sabendo que a queda faz impulso] ter medo de cair. não sei exatamente quando me dei conta de que vivia para os outros, mas a partir do momento que me dei conta percebi que estava fodida. não ia ter mais jeito, nem o estômago digere as próprias mentiras depois de algum tempo e começa a intoxicar. para depois expelir, vomitar, vomitar e vomitar. vê o quanto os sintomas acompanham o que escrevo? é porque o que escrevo é de segunda ordem. obediência só ao corpo. mas não mais uma recusa à sua imagem, mas recusa à sua imagem única, para agora poder entrar no espaço pixelado, onde entendem quedas de conexão como estado de presença e bebem chá com a frustração do trabalho dobrado de agora, de novo, não apenas estar mas mostrar-se presente. estar já não basta. é preciso servir às outras mesas e telas. atenção: sua presença foi reconfigurada. queria agora chorar na sua frente. não haveria outro modo de estar, ainda que estando na pior, no final daríamos risada. rir da falsa liberdade que ainda nos resta de dizer em voz alta. da capacidade de redimensionar o tamanho das imagens, não importa, daríamos um jeito.

poesias e textos autorais / @alinekauanacezar

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